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"Que X-Men você queria ser?"

Eu queria ser o mutante que adquirir a habilidade de esquecer. Apagar da memória exatamente aquilo que te machuca. Organizar a memória em pastas, com marcações, favoritar as melhores e mais importantes. E apagar, sem oportunidade de resgatar da lixeira o que não mais deve ser lembrado. Todos nós ficamos aqui, na espera de algo muito bom acontecer. Mas o que acontece quando se perde isso de bom que aconteceu? Fica ali, a lembrança do que você quer que volte, mas que não vai voltar. Aí, já que aquelas memórias já não servem de nada, você fica tentando achar um sentido pra elas. Brinca com elas. Fogo que são, aquecem, mas machucam. Olha elas de trás pra frente, adianta, retrocede, faz adaptações para filmes, seriados de tv e novelas. Escreve livros, compõe músicas. Acha as músicas perfeitas. Das mais mais bregas às mais bonitas. Qual a relevância? Outras histórias estão começando para outras pessoas, com outras músicas, lembranças estão sendo feitas. E as suas estão ali sem serventia. Sin...
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Apnéia não mata, ensina a viver

Vá por mim. Você pode aprender coisas incríveis, simplesmente pelo fato de não estar respirando. Desde os 8 meses de idade eu comecei a ter aulas de natação. Grande parte dos meus álbuns da infância toda tem algo a ver com água. Depois então que descobri que tinha amiotrofia, aí que a água passou a ser minha vida. Eu achava que tava indo só para me divertir. Minha mãe e os demais médicos sabiam que era para me exercitar, me relaxar, melhorar minha coordenação, minha função pulmonar e mais um punhado de coisas. Só uma coisa, eles não gostavam: É que eu adorava ficar em apnéia. Vários segundos lá embaixo sem respirar, mergulhando, rodando. Adorava aquela sensação de que, pelo menos por alguns segundos, eu era da água e só dela. Ali eu podia fazer tudo. Minha esperança era de que um dia nascessem brânquias em mim e eu tivesse que viver na água. Minha mãe gritava de lá, morria de medo, dizia que aquilo podia me dar uma sensação de prazer, fazendo com que eu quisesse ficar mais tempo sem ar...
"Paciência é uma virtude." Só se for para aqueles que não a tem, e demandam tanto a dos que possuem. Sim, sou paciente e sofro. Sei esperar calada, sofrer por antecipação, me preparar para o pior e compreender quando não dá. Compreensão. Muito mal interpretada, geralmente. Compreendo as pessoas e suas decisões, muitas vezes, ainda que estejam me ferindo de morte. Alguns acham ser falta de amor próprio, alguns dizem ser fraqueza, covardia. Compreender seria melhor que lutar? Seria conformismo, escapismo? Eu luto diariamente, eu preciso de paciência, equilibrio e força. Não heróica. A suficiente para me manter em pé. Não digam que eu não lutei pelo o que eu quis. Tomar a decisão de compreender e aceitar pode ser imensamente mais difícil. Está sendo difícil ver aquilo que tinha tudo para dar certo não funcionar. Chegar nos lugares e parecer que está tudo bem exige maior esforço que passar uma noite chorando no quarto. Ouço as músicas que me convém, tento me distrair, faço piada....
Tá, eu disse que ia escrever feito uma louca, louca que sou. É, por que existem mil outras coisas que eu devia fazer e não faço, habitualmente. Mais do que escrever, gosto de ler, e cada vez mais encontro blogs interessantes e me perco neles. Gente que fala até de coisas que tem a ver comigo, mas que não sei o por quê, soam mais interessantes. Dá uma vontade de ficar por aí, lendo e conversando através dos posts com as pessoas, muitas vezes tão mais legais do que aquelas com quem eu convivo. Mas sofro, estão longe. Não dá pra ser amigona delas, elogiar enquanto tomamos um café. E aqui eu aproveito pra contar um episódio traumático que me aconteceu na minnha 5ª série, há uns 13 anos. Tentando ser simpática e amiguinha da única patricinha com quem eu simpatizava na minha sala, ao avistá-la com uma calça cargo (ai, tava na moda, não me julguem. E era linda de morrer), eu fiz um elogio super sincero do tipo "Nossa, (insira aqui o nome de qualquer patricinha que lhe marcou negativament...
De todas as coisas que já havia começado e deixei, essa não pode ser uma delas. Adoro blogs, como já falei, uma das formas de literatura mais certas com o que a gente vive hoje. Essa mistura de contatos, idéias fervilhantes, novas descobertas, modinhas e por que não dizer, egocentrismo. Sim, escrevemos muito porque naquele momento só o que é nosso importa. E é nos mostrando que a gente enxerga o outro. É nos ajeitando que a gente ajeita a vida do outro. E seguimos, falando pelos cotovelos, pois não conseguimos lidar sozinhas com esse tanto de coisa que chega à gente de uma vez. Segura aí um pouco. Vai parecer desacertado no começo, mas eu vou escrever feito uma louca aqui. Pelo menos, essa é a idéia hoje. Muda todo dia, mas façam suas apostas.
Não é só estar se sentindo feia, chata, burra e inútil. É o medo de estar assim por pura culpa minha. Quando me achava uma merda me preocupava menos, sinceramente. Quero ter pra onde ir, agora que eu sei como se faz para se chegar lá. Mas só tenho mil dúvidas e confusão. Quero ser mais linda e mais legal, agora que sei que eu posso ser sim, e que ganho muito com isso. Quero meu amor sempre, agora que senti um amor sereno e bonito. Não quero que termine. Não quero ficar parada num lugar onde não queria estar. Preciso andar. Mas pra onde?