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Diante da absurda reação do delegado Damasio Marino contra a abordagem do advogado Anatole Morandini que, ao vê-lo estacionar indevidamente na vaga destinada às pessoas com deficiência, o advertiu, o dia-dia de pessoas como eu vem à mídia por algum tempo. E, diante de algo tão violento e desnecessário, obviamente, não há quem discorde de que os direitos das pessoas com deficiência devem ser mais respeitados. E todos comentam e recriminam e, por um dia, prestam atenção na necessidade que há de se ter um vaga reservada com o espaço regulamentar, rampas, piso tátil, entre outros. E amanhã? Irão se revoltar da mesma forma? Eu digo isso por mim. É tanta indiferença às nossas necessidades, tanta ignorância quanto aos benefícios de se ter uma cidade acessível, que, aos poucos, vamos nos cansado de, constantemente, repetir, reclamar, se queixar. É, uns dias em maior ou menor grau, mas vamos nos acostumando a sorrisos amarelos de quem sai do banheiro de deficiente sem ser, e se depara com nós e...
Ela acordou era muito cedo. Desde que havia se mudado, se dava ao luxo de dormir até um pouco mais tarde, afinal, tudo havia ajeitado-se e ela não precisava mais se descabelar em duas horas de condução até o trabalho. Morava perto, ia de bicicleta, recebia até carona da vizinha, ruiva, às vezes. Mas não conseguira dormir direito. Sim, tudo estava bem. E agora? Onde guardar suas angústias num dia-a-dia que só cabia tudo que ela havia sonhado? Seu amor estava ali, dormindo, e se preocupar com a tampa do vaso levantada não era um destino que ela queria, naquele momento. Suas angústias não poderiam se mudar. Ela aprendeu a viver com elas e se sentiria órfã se, por acaso, resolvessem partir. Não sabe viver sem a dor, sem a preocupação. Aguardava o momento em que tudo se partisse. Pronto, já tinha separado ali um lugar entre o sofá e o corredor. Ali moraria a angústia de esperar o momento em que tudo desse errado. Era mais fácil do que encarar a realidade feliz que merecia.

Tom Jobim no Vunvunzela

Escrevi sobre Tom Jobim, babacas e eu mesma no Vunvunzela Assassina hoje. Clica aí: http://vunvunzelaassassina.blogspot.com Obrigada
Era pra eu ter escrito isso desde segunda, mas ando mesmo me arrastando nessa vida. Ando numa de esperar tão forte, sem saber direito o que será do meu futuro profissional, que não me movo, só espero. Claro, nem preciso dizer o quanto isso pode parecer prejudicial. Para me cobrir dessa certeza, sai o resultado do Exame de Ordem. Meu nome não está lá. Sim, por poucas vezes na minha vida me senti assim, num sentimento de já sabia, com culpa, de resignação, e ao mesmo tempo me sentindo injustiçada. Acho que não preciso dizer que é péssimo. Mas preciso dizer que ter esse bando de sentimento correndo pra dentro de mim foi interessante. Vejo que ainda me sinto, que vejo as dimensões das coisas, que eu não perdi meu jeito de enxergar as coisas que acontecem. Foi muito ruim, mas não foi o fim do mundo. E isso é importante, eu ver o quanto tenho, quantas vezes já conquistei coisas de primeira, me senti linda e merecedora, quando na verdade deveria me sentir humildemente agradecida. Sem falar de...
Hoje escreverei por pura inveja. Da boa. Vi um amigo escrever e é tão lindo conseguir perceber as coisas e coloca-las num papel, num post, numa música. A maior parte do sofrimento das pessoas reside na impossibilidade de se expressar. Vejo artistas, por décadas, em sua tristeza, concebendo obras lindíssimas, mas não conseguindo domar suas melancolias. Eles tentam bravamente colocar pra fora e deve ser um alívio, por algum tempo, conseguir cantar aquela raiva, aquele desamor, ou aquela alegria assustadora. Não se entender é algo doloroso. Passei por isso esse ano e vi que não dá para aplicar as mesmas fórmulas sempre, somos seres mutáveis e aceitar nossas mudanças como algo criado por nós, que, portanto, deve ser aceito e moldado, tal qual um filho, é essencial para a paz de espírito. Pelo menos, foi assim comigo. Imagino quantas pessoas que amo agora estão precisando olhar para dentro de si. Quem dera, pudesse eu ajuda-las.
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É como assistir a um bebê dormindo. Quero sempre saber se está tudo bem. Não quero que façam barulho para não assusta-lo. A doçura do seu sono frágil não merece ser perturbada. É como olhar ondas do mar batendo na costa. O som é bom, a brisa. Às vezes, bate com mais força, assusta. Mas é bom saber que existe uma imensidão, cheia de beleza, vindo ao nosso encontro, em ondas que não param. É como viajar para um novo lugar. Tem que arrumar a cama, se adaptar aos novos costumes, provar as iguarias. Mas tudo se mostra estranhamente familiar, confortável, harmonioso. Podia passar horas em metáforas para tentar demonstrar o que sinto. A vontade que tenho é de repetir, para que não haja dúvidas. Talvez, nem precise. Estou aprendendo com ele que queijo e tomates bem picados valem mais que mil palavras.

If You Never Come to Me

"There's no use Of a moonlight glow Or the peaks where winter snows What's the use of the waves that will break In the cool of the evening What is the evening Without you It's nothing It may be You will never come If you never come to me What's the use of my wonderful dreams And why would they need me Where would they lead me Without you To nowhere Just nowhere"