sábado, novembro 07, 2009

A ficha sempre cai.

É impressionante o poder que a ficha tem de se manter no ar. Enquanto tudo cai na mesma velocidade, a ficha paira no ar como uma pluma. Uma ultraleve queria ser a ficha, pra dar ao seu passageiro tamanho tempo nos céus.
Porém, como tudo, ela cai. Ok, disso todo mundo já sabe. O tempo, a expectativa alheia, a angustia é que mudará de caso a caso. Ora ela cai numa fúria, causando um estrondo imenso, que machuca e forma uma cratera na gente, tal qual um meteoro. Outras vezes, o entanto, desce devagar, como folha de papel, levada ao chão pelos inúmeros sinais que a vida traz.
Não adianta acelerar a queda da ficha. Sua aerodinâmica, seu poder de flutuação engana os mais experientes profissionais. Não adianta avisar "olha só, rapaz, ela está te enganando", ou "essa sua paixão vai acabar te estragando" ou ainda "um dia, você vai cansar disso e não vai poder mais se livrar". A ficha só cairá quando ela bem entender. Enquanto nos ares, as opiniões sobre o tema mudam. Aqueles que esperavam que a ficha caísse temem as consequências de sua queda, outros que nem ligavam, torcem desesperados, como em final de Copa do Mundo, que ela desça imediatamente. Há ainda aqueles que, de tanto olhar pro alto, à espera da ficha alheia cair, enjoaram e deixaram ela pra lá.
O que a ficha pensa disso tudo? Nada. Ela sabe que no tempo e na hora certa, ela cairá. É o seu destino. Acha ridícula a idéia de avisar "Olha, pessoas, não se preocupem em apressar a queda da ficha de outrem, é inútil". Isso porque ela sabe que de nada adiantaria avisar, as pessoas não ouvem. Preocupam-se mais em vigiar a ficha alheia enquanto sua própria ficha paira no ar. Prevê a "quebra de cara" do outro, mas se esquece que está prestes a quebrar a própria. A ficha, do alto de sua sabedoria, acha que não deve se meter com os absurdos da mente humana.
Talvez, tudo que a ficha espera é que as pessoas continuem a correr riscos. Sem riscos, as fichas não sobem, para que se possa dizer, ao final, meio que lamentando (as vezes até comemorando): "é, só agora caiu a ficha."

domingo, setembro 20, 2009

Eu sei, eu não deveria

Aliás, não sei se eu deveria. Ando deixando de fazer muitas coisas pelo simples fato de que não quero ter muito trabalho, muito gasto de energia mental, muita dor-de-cabeça. Mas se tolhir, pensar em não fazer algo que se quer para que outros não pensem nada de errado de você, já é um gasto de energia demasiadamente grande. Além de ser uma estupidez imensa, uma vez que não importa o que você faça, sempre vai ter um espírito de porco pra te criticar. E eu sou um deles, eu sei. Mas confesso que ando cansada de ser assim.
Essa preocupação doentia pela vida alheia me enoja. Quer se preocupar com o outro mesmo? Quer estar a par da vida dele, quer estar presente com opiniões, regras, norte? Esteja de verdade. Esteja lá quando ele precisar. Não banque o melhor amigo, o irmão mais velho, o paladino da justiça, o mestre dominador das verdades. Dê uma palmadinha no ombro quando ele estiver pra baixo e não fale nada. Melhor do que abrir a boca quando ele está feliz com um "você vai quebrar a cara".
Ando tão intolerante e cansada de certas pessoas que nem deveria estar escrevendo. Hoje, escrevo só pra dizer que acho vocês um porre. Não todos, claro. Mas, infelizmente, a maioria.