segunda-feira, setembro 10, 2012

Orgulho Paralímpico

"Apesar de você, amanhã há de ser outro dia." Não foi essa trilha brasileira que embalou a festa de encerramento das Paralímpiadas de Londres, mas podia ter sido. Mesmo com toda falta de acessibilidade, respeito e reconhecimento ao valor das pessoas com deficiência que encaramos no Brasil, os para-atletas deram um show. A meta de alcançar o sétimo lugar no quadro de medalhas foi alcançado, superando um bocado o desempenho dos atletas olímpicos.  43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze contra 17 medalhas nas Olimpíadas e um 22º lugar no quadro de medalhas.
Comparar é chato, mas para mim é inevitável, desculpa. Afinal, no que diz respeito às qualidades inerentes a um bom atleta, os para-atletas são semelhantes aos demais. Muito treino, garra, determinação, esforço e nem tanto reconhecimento. Em terra de endeusamento de "Neymares" quantos atletas olímpicos se vê estampados em campanhas publicitárias? E paralímpicos? 
Numa nação em que estamos, a todo momento, nos diminuindo, nos envergonhando de nossas escolhas e representantes, por que não investir na beleza daqueles que, enfrentando todas as dificuldades que é ser pessoa com deficiência no Brasil, honram seu país? As paralimpíadas terminaram e já já grande parte das pessoas se esquece desses feitos tão admiráveis. O modelo de normalidade se impõe e não veremos nossos atletas em comerciais, entrevistas, campanhas. Como se eles, por serem diferentes, não fossem capazes de nos representar, ainda que as qualidades que eles demonstraram sejam justamente aquelas que o país está precisando para se sentir um pouco melhor ao se olhar no espelho: perseverança, ousadia, determinação e competência. 
Espero muito que nossas crianças entrem em contato com esses exemplos, podendo se espelhar neles, até mesmo como uma forma de trazer à tona a necessidade de se respeitar e enxergar como igual cidadão, com seus direitos e deveres.  Aprender a olhar de perto e bem mais frequentemente estes grandes homens e mulheres com deficiência, que não estão cobertos de ouro nem estão debaixo dos holofotes do mundo, mas tem trazido para nós muito mais alegrias e um sentimento que pode, sim, dar certo.

terça-feira, setembro 04, 2012

O tortuoso Caminho

Eu pretendo fazer uma série de posts sobre minha escoliose. 15 anos com ela, já vivi de tudo. Agora, depois de muito relutar, temer, pensar, resolvi operar. Estou me martirizando por ter demorado tanto, mas acho que a vida coloca mesmo a gente pra fazer cada coisa a seu tempo.
Como só poderei fazer minha cirurgia em dezembro, controlarei minha ansiedade dividindo com vocês tudo o que eu já passei com minha escoliose e minha preparação pro grande dia. Mas, meu blog continuará a ter outras coisas também, retomarei esse cantinho que já fez tanto por mim.
Atualmente, minha escoliose tá braba. 89º, segundo raio-x recente, o que é horrível e só dará pra consertar até uns 50º. Daí, vocês se perguntam por que diabos eu deixei chegar nesse estágio. Explico um pouco nesse primeiro post. Um pouco mesmo, porque nem eu entendi até hoje o motivo.

Desde 1997, aos 10 anos, fui diagnosticada com escoliose, algo bem comum para quem passa o dia na cadeira-de-rodas, como eu. Daí, durante o estirão da adolescência, ela surgiu, logo pesada. Minha coluna entortou muito e rápido, parte pro ortopedista já.
De cara, não curti. O médico, experiente, que já havia tratado muita gente da minha família, não foi nem um pouco gentil. Disse que minha escoliose era grave, que eu devia usar aparelho, mas que não ia adiantar, que o certo mesmo era fazer uma cirurgia.
- Mas como é essa cirurgia, doutor? - perguntei, no alto dos meus 10 anos de idade, achando que devia saber.
- É uma cirurgia complicada, dolorosa, pós-operatório ruim, de mais de um mês internada, sob tração, com gesso. Há também um risco grande de infecção, fora o risco de lesão durante o procedimento. O risco de morte, claro, nem se fala.
- Mas e resolve?
- Não tem como saber o quanto. Pode ser que sim, pode ser que você tenha que fazer a cirurgia novamente, pode ser que seu quadro evolua, pode ser que tenha que usar aparelho o resto da vida.
- Tá.
Saí de lá apavorada, mesmo com todo esforço de meus pais para me tranquilizar. Afinal, nunca havia feito uma cirurgia antes, e a abordagem do médico fora a pior possível. Decidi que não faria a cirurgia, que tentaria os aparelhos. Esse fica pra outro post, logo mais.