domingo, dezembro 19, 2010

Ela acordou era muito cedo. Desde que havia se mudado, se dava ao luxo de dormir até um pouco mais tarde, afinal, tudo havia ajeitado-se e ela não precisava mais se descabelar em duas horas de condução até o trabalho. Morava perto, ia de bicicleta, recebia até carona da vizinha, ruiva, às vezes.
Mas não conseguira dormir direito. Sim, tudo estava bem. E agora? Onde guardar suas angústias num dia-a-dia que só cabia tudo que ela havia sonhado? Seu amor estava ali, dormindo, e se preocupar com a tampa do vaso levantada não era um destino que ela queria, naquele momento. Suas angústias não poderiam se mudar. Ela aprendeu a viver com elas e se sentiria órfã se, por acaso, resolvessem partir. Não sabe viver sem a dor, sem a preocupação. Aguardava o momento em que tudo se partisse. Pronto, já tinha separado ali um lugar entre o sofá e o corredor. Ali moraria a angústia de esperar o momento em que tudo desse errado. Era mais fácil do que encarar a realidade feliz que merecia.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Tom Jobim no Vunvunzela

Escrevi sobre Tom Jobim, babacas e eu mesma no Vunvunzela Assassina hoje.
Clica aí:
http://vunvunzelaassassina.blogspot.com

Obrigada
Era pra eu ter escrito isso desde segunda, mas ando mesmo me arrastando nessa vida. Ando numa de esperar tão forte, sem saber direito o que será do meu futuro profissional, que não me movo, só espero. Claro, nem preciso dizer o quanto isso pode parecer prejudicial.
Para me cobrir dessa certeza, sai o resultado do Exame de Ordem. Meu nome não está lá. Sim, por poucas vezes na minha vida me senti assim, num sentimento de já sabia, com culpa, de resignação, e ao mesmo tempo me sentindo injustiçada. Acho que não preciso dizer que é péssimo. Mas preciso dizer que ter esse bando de sentimento correndo pra dentro de mim foi interessante. Vejo que ainda me sinto, que vejo as dimensões das coisas, que eu não perdi meu jeito de enxergar as coisas que acontecem.
Foi muito ruim, mas não foi o fim do mundo. E isso é importante, eu ver o quanto tenho, quantas vezes já conquistei coisas de primeira, me senti linda e merecedora, quando na verdade deveria me sentir humildemente agradecida. Sem falar de Deus, ou qualquer coisa superior, agradecida a mim mesmo e a quem me cerca, que aguenta firme as coisas e consegue muito, apesar de tudo.
O que mais tem me angustiado é a incerteza e o caos instaurado que agora se apresenta nesse certame. Detesto turbulências. É para perder? Perde. Foi culpa sua, Mila, você não estudou o suficiente, como sempre. É pra passar? Parabéns, Mila, você é inteligente por conseguir aproveitar o conhecimento que chega até você.
Agora, o que não dá para ser é isso aí, sem saber se eu perdi porque a correção foi mesmo escrota e feita irresponsavelmente, e, dessa maneira, vão rever. Ou porque a prova é assim mesmo, e eu devia estar preparada.
Quero saber. É pedir muito?