sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Pouca gente que eu conheço lidou com a mesma quantidade de pessoas e situações diferentes na vida como eu. Não estou me gabando, ainda que me orgulhe muito disso. Sou uma pessoa melhor, por ter aceitado e convivido com essa pluralidade de pessoas.
Mas, ao mesmo tempo, sou mais triste e cética. Por mais que digam que o mundo está evoluindo para sanar essas diferenças, ainda vejo muita gente presa a preconceitos de raça/cor/religião/gênero/sexualidade que não deviam mais se sustentar. E ainda que estejamos nos movendo em direção a um mundo mais igual, a medida que respeita as desigualdades, se nos deparamos, no dia-dia, com discriminação me sinto como um soldado que vê um colega seu ser morto em combate. É mais uma baixa, cada vez que eu preciso de alguém para apertar a merda do botão do elevador, que eu não alcanço, de uma repartição pública que tinha que zelar pelo cumprimento das leis que determinam que os ambientes sejam acessíveis.
Ou como um soldado que perde o sentido da audição quando uma bomba estoura, cada vez que eu reclamo de algo e as pessoas só balançam a cabeça assentindo feito zumbis sem senso crítico.
Ou ainda como se eu estivesse tendo alucinações de um Neurótico de Guerra, ao discutir a homofobia de Marcelo Dourado no BBB e a pessoa afirmar veementemente que o comportamento dele é o mais correto e aceitável, e nada tem de homofóbico.
O problema é que eu não posso abandonar essa guerra, sob pena de ser considerada desertora por mim mesma. Tenho que continuar aqui, sinalizando as diferenças, para que elas não sejam minimizadas ou rotuladas, para que o mundo possa ser realmente mais plural e generoso com todos aqueles que, na batalha do dia-dia não esquecem que: "Ser diferente, é normal. Mesmo porque, ninguém é igual."

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Personagem: Vitória

Vitória é uma menina feliz. Bom, pelo menos, é o que ela deixa transparecer. Dona de um sorriso estonteante, mais do que com a expressão corporal, Vitória adora falar como a vida dela anda tão, mas tão legal, que você deveria chorar de inveja.
Na vida de Vitória, não há problemas. Há apenas questões complicadas que ela, muito experiente, forte e corajosa, enfrenta sem pestanejar. Vitória é vivida, já enfrentou muitas batalhas, mas com toda a bagagem que ela tem, você não precisa se preocupar com ela. Ela está sempre bem.
Aquele dia que você a viu triste e cabisbaixa? Foi apenas um bad day, um desabafozinho, afinal, ela leu numa revista que tem que deixar os sentimentos saírem.
Aquela grosseria que você viu o namorado fazer a ela? Imagina, ele é um amor. Ela adora o jeitão bruto dele.
E assim, ela continua vivendo de marketing pessoal, bradando aos quatro ventos como ela é feliz e 100% satisfeita. Mesmo porque ela, que é muito inteligente, deve saber: "Uma mentira contada mil vezes vira uma verdade."

"Sorria na sala,
Chore no quarto"

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Personagens

Meu poder de observação anda muito aguçado. E isso tem me prejudicado, pois quanto mais observo as pessoas, menos interessantes elas me parecem. Destrincho cada detalhe e a certeza de que "de perto, ninguém é bonito" parece cada vez mais forte.
Fui ver o show de beyoncé ontem aqui em Salvador, a distância que eu tava do palco e a duração do show não me permitiram encontrar nos detalhes nenhum defeito. Mas, antes, durante e depois do espetáculo, me deparei com inúmeros personagens. E muitos outros, não presentes ali, surgiram na minha mente. Personagens que se repetem, no todo ou em parte, com as pessoas que eu convivo ou com as idéias que eu tenho delas.
Assim, como forma de extravasar essa minha necessidade de observação, passarei a dar uma "Função Social" a tamanha capacidade de me debruçar sobre o comportamento humano. Construirei personagens, criarei arte em torno deles, para que me pareçam cada vez menos irritante e cada mais divertidos.

"Come on, come in.
Amuse me.
I know you don't care
Just entertain me."

domingo, fevereiro 07, 2010

Amor sem Escalas (Up in the air)


Assisti ontem ao filme "Amor sem escalas (Up in the air)" e me encantei.
Apesar da sala do cinema estar insuportavelmente cheia de adolescentes mal-educados (eufemismo), o filme foi uma delícia. Seguindo o conceito de Marco (vomite.wordpress.com), não farei uma síntese do filme, mas sim, quais conclusões (bem particulares) tirei dele.
A principal dela, que é pra mim uma conclusão trabalhada em meu interior faz tempo, é que a felicidade de um não pode ser transportada para o outro. Não existe um modelo de felicidade capaz de se encaixar em todas as pessoas, indistintivamente. Nem um sistema de tamanho, no estilo P, M e G, capaz de você ir lá e escolher.
A busca incessante por esse modelo de felicidade pode acabar em situações bizarras, onde as pessoas se submetem a papelões ridículos acreditando que assim vão conseguir alcançar aquele tão esperado modelo.
Nem todas as escolhas vão dar onde a gente pensa. Nem todo comodismo vai manter nós no local confortável em que estamos.
Vale a pena o filme, e vale a pena refletir sobre se o seu modelo de felicidade tem mesmo que ser o mesmo que o meu. Além disso, se existe um modelo, imutável e infalível capaz de nos fazer realmente felizes.
Outra conclusão, sem resposta até então, "Fundamental é mesmo o amor? É impossível ser feliz sozinho?". Será que dá pra ser uma ilha, será que ser cercado de pessoas é suficiente para suprimir essa carência inerente do ser humano? Até quando é possível nos manter auto-suficientes?
Só perguntas, mas a dúvida move o homem, certo? Como o protagonista do filme disse(algo assim, não gravei a fala) se não nos movemos, nós morremos.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Desejo

Se me sinto inerte, não posso atribuir a falta de atividade dentro de mim.

Internamente, tudo quero, espero e cogito se posso.
Quero ter tudo que posso e nunca fiz. Quero querer cada vez mais forte até conseguir. Quero estar perto, sempre e mais do que nunca, do que me faz forte. Enquanto caminho, ainda que a passos de formiga e sem vontade, para longe do que me faz ser o que não quero mais.
Sobretudo, quero desejar. Quero nunca mais deixar de acreditar. Continuar no querer intenso, porque dele se alimenta todas as outras coisas que nos fazem caminhar.
E se caminhar não posso, quero querer caminhar, e todas as suas consequencias. Para que, de tanto querer, um dia possa chegar à fonte dos meus desejos.