quarta-feira, setembro 21, 2011

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Hoje é um dia de luta. Hoje é mais um dia, pra quem luta um pouquinho todo dia. Não, não vistam em mim a roupa de herói, não pega bem. Nem a de coitadinho, porfavor. Hoje é o dia de pessoas, sujeitos de direito, que possuem algum tipo de deficiência e que estão aí pra fazer a vida acontecer.
Não quero que o post fique longo, nem vou falar aqui como é ser deficiente nesse país. Eu quero falar como eu quero que seja. Eu quero dizer que cabe a cada um de nós dizer como deve ser sua cidade. Mais acessível, mais inclusiva, menos preconceituosa. Cabe reclamar, pedir, explicar, discordar e incentivar. Mesmo não tendo uma deficiência, todos irão ganhar quando nosso país poder acolher cada um de seus cidadãos, de maneira digna e igualitária.
Acho que estamos caminhando. Mas quero passos mais firmes e rápido. Quero ter mais gente pedindo, não só por mim, mas comigo. Seja na padaria da esquina ou em repartiçõs públicas. A lei existe e está aí para ser cumprida. Mais que isso, há princípios resguardando a necessidade de tornar as pessoas seres mais livres e felizes.
Mais do que um dia de luta, quero que seja um dia de comemorar tudo o que já foi feito, e a força de tudo que ainda está por vir. Não será fácil, a gente já sabe. Facilidade nunca foi a nossa praia, mesmo. Mas, como sempre, a gente consegue.

quinta-feira, setembro 08, 2011

"Mas não dá pra dar um jeitinho de levantar esse braço?"

Tava aqui linda e sossegada lendo o livro do não menos lindo Marcelo Rubens Paiva, quando me avisam de que o rapaz do condomínio e da empresa de elevadores estavam aqui pra falar comigo.
Há uns dias, minha mãe comentou com o síndico de que seria bom se pudesse mudar o interruptor do elevador no meu andar e na garagem, de maneira que ficasse numa altura em que eu pudesse apertá-lo.
Então, ele mandou que o rapaz da empresa responsável viesse aqui pra saber como seria e tal. Eis o belíssimo diálogo entre eu e o tal rapaz da empresa de elevadores, quando ele aqui chegou:
"-Oi, boa tarde, eu entrei em contato com vocês sobre a possibilidade de baixar um pouco esse interruptor, porque do jeito que tá eu não alcanço.
-Mas não alcança como?
-Meu braço só levanta até essa altura- mostrei pra ele meu braço subindo só até a altura da minha cabeça,como de costume.
-Mas não tem como levantar mais mesmo?"
Daí vem na sua mente que a principal dificuldade de se encarar uma deficiência reside na babaquice das pessoas. Tá, meu corpo me boicotou nessa, sou assim fraquinha, mas eu tô aqui vivendo e desempenhando bem as atividades que a mim foram reservadas. E você, que apesar de que apesar de gozar plenamente de suas faculdades físicas e mentais, vem com uma pergunta imbecil desse tipo?
Se eu conseguisse levantar meu braço mais do que essa altura, não só eu seria capaz de apertar o botão do elevador, meu senhor, mas também de dar com a mão na sua cara, pra ver se você passa por uma experiência esclarecedora do quanto sua pergunta foi idiota.
Continuando a conversa, tendo em vista a impossibilidade de se incinerar uma pessoa com a força da mente, ele disse:
"-Olha, pode ser um pouco complicado, vai ter que quebrar parede e tal.
-Isso eu sei, mas não tenho culpa que o interruptor tá fora da norma. É só meu andar e a garagem que precisa ser modificado.
-Você podia usar uma varetinha de metal para alcançar."
Pausa. Desisto de conversar e de escrever. Vocês já devem imaginar que eu materializei a tal varinha de metal sendo enfiada no olho dele, para não dizer outra parte do corpo.