domingo, dezembro 19, 2010

Ela acordou era muito cedo. Desde que havia se mudado, se dava ao luxo de dormir até um pouco mais tarde, afinal, tudo havia ajeitado-se e ela não precisava mais se descabelar em duas horas de condução até o trabalho. Morava perto, ia de bicicleta, recebia até carona da vizinha, ruiva, às vezes.
Mas não conseguira dormir direito. Sim, tudo estava bem. E agora? Onde guardar suas angústias num dia-a-dia que só cabia tudo que ela havia sonhado? Seu amor estava ali, dormindo, e se preocupar com a tampa do vaso levantada não era um destino que ela queria, naquele momento. Suas angústias não poderiam se mudar. Ela aprendeu a viver com elas e se sentiria órfã se, por acaso, resolvessem partir. Não sabe viver sem a dor, sem a preocupação. Aguardava o momento em que tudo se partisse. Pronto, já tinha separado ali um lugar entre o sofá e o corredor. Ali moraria a angústia de esperar o momento em que tudo desse errado. Era mais fácil do que encarar a realidade feliz que merecia.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Tom Jobim no Vunvunzela

Escrevi sobre Tom Jobim, babacas e eu mesma no Vunvunzela Assassina hoje.
Clica aí:
http://vunvunzelaassassina.blogspot.com

Obrigada
Era pra eu ter escrito isso desde segunda, mas ando mesmo me arrastando nessa vida. Ando numa de esperar tão forte, sem saber direito o que será do meu futuro profissional, que não me movo, só espero. Claro, nem preciso dizer o quanto isso pode parecer prejudicial.
Para me cobrir dessa certeza, sai o resultado do Exame de Ordem. Meu nome não está lá. Sim, por poucas vezes na minha vida me senti assim, num sentimento de já sabia, com culpa, de resignação, e ao mesmo tempo me sentindo injustiçada. Acho que não preciso dizer que é péssimo. Mas preciso dizer que ter esse bando de sentimento correndo pra dentro de mim foi interessante. Vejo que ainda me sinto, que vejo as dimensões das coisas, que eu não perdi meu jeito de enxergar as coisas que acontecem.
Foi muito ruim, mas não foi o fim do mundo. E isso é importante, eu ver o quanto tenho, quantas vezes já conquistei coisas de primeira, me senti linda e merecedora, quando na verdade deveria me sentir humildemente agradecida. Sem falar de Deus, ou qualquer coisa superior, agradecida a mim mesmo e a quem me cerca, que aguenta firme as coisas e consegue muito, apesar de tudo.
O que mais tem me angustiado é a incerteza e o caos instaurado que agora se apresenta nesse certame. Detesto turbulências. É para perder? Perde. Foi culpa sua, Mila, você não estudou o suficiente, como sempre. É pra passar? Parabéns, Mila, você é inteligente por conseguir aproveitar o conhecimento que chega até você.
Agora, o que não dá para ser é isso aí, sem saber se eu perdi porque a correção foi mesmo escrota e feita irresponsavelmente, e, dessa maneira, vão rever. Ou porque a prova é assim mesmo, e eu devia estar preparada.
Quero saber. É pedir muito?

quinta-feira, novembro 18, 2010

Hoje escreverei por pura inveja. Da boa. Vi um amigo escrever e é tão lindo conseguir perceber as coisas e coloca-las num papel, num post, numa música.
A maior parte do sofrimento das pessoas reside na impossibilidade de se expressar. Vejo artistas, por décadas, em sua tristeza, concebendo obras lindíssimas, mas não conseguindo domar suas melancolias. Eles tentam bravamente colocar pra fora e deve ser um alívio, por algum tempo, conseguir cantar aquela raiva, aquele desamor, ou aquela alegria assustadora.
Não se entender é algo doloroso. Passei por isso esse ano e vi que não dá para aplicar as mesmas fórmulas sempre, somos seres mutáveis e aceitar nossas mudanças como algo criado por nós, que, portanto, deve ser aceito e moldado, tal qual um filho, é essencial para a paz de espírito. Pelo menos, foi assim comigo.
Imagino quantas pessoas que amo agora estão precisando olhar para dentro de si. Quem dera, pudesse eu ajuda-las.

segunda-feira, outubro 18, 2010



É como assistir a um bebê dormindo. Quero sempre saber se está tudo bem. Não quero que façam barulho para não assusta-lo. A doçura do seu sono frágil não merece ser perturbada.
É como olhar ondas do mar batendo na costa. O som é bom, a brisa. Às vezes, bate com mais força, assusta. Mas é bom saber que existe uma imensidão, cheia de beleza, vindo ao nosso encontro, em ondas que não param.
É como viajar para um novo lugar. Tem que arrumar a cama, se adaptar aos novos costumes, provar as iguarias. Mas tudo se mostra estranhamente familiar, confortável, harmonioso.
Podia passar horas em metáforas para tentar demonstrar o que sinto. A vontade que tenho é de repetir, para que não haja dúvidas. Talvez, nem precise. Estou aprendendo com ele que queijo e tomates bem picados valem mais que mil palavras.

quinta-feira, setembro 23, 2010

If You Never Come to Me

"There's no use
Of a moonlight glow
Or the peaks where winter snows

What's the use of the waves that will break
In the cool of the evening
What is the evening
Without you
It's nothing

It may be
You will never come
If you never come to me
What's the use of my wonderful dreams
And why would they need me
Where would they lead me
Without you
To nowhere

Just nowhere"

quarta-feira, setembro 15, 2010

Pensou em tudo o que ela disse. Não quis ser cruel e dizer o que estava na sua cabeça. Apenas, arriscou, sabia que a outra ia rir e não entenderia sua poesia:
"Ah, acho que pela força no hábito faço assim. Nunca coloco só os pézinhos na água, tenho que mergulhar de uma vez. Nunca saí de uma água gelada, por medo do frio. Sou assim, fico ali curtindo até onde puder, depois me seco. Faço o mesmo com minhas lágrimas. Tenho algumas toalhas ali, esperando o momento, se vier."
E sorriu. A outra, sorriu também. Não quis saber o que aquele sorriso significava. Só quer saber que o sorriso dela, agora, existe.

terça-feira, setembro 14, 2010

Ao meu Pai.



Pai, 10 anos que te levaram embora. Dizem, as vezes, "ele se foi". Mas você foi levado, né? Arrancado.
Passou rápido, mas nada indolor. E eu escrever hoje, logo no aniversário de morte, é até meio esquisito, já que não houve um dia sequer nesses 3650 dias que eu não tenha pensado em você.
Mas, tenho certeza, você sofre ao me ver triste, então, vou te contar algumas coisas que eu aprendi e estou sentindo e tenho certeza que você vai ficar contente em saber. Tá, eu sei que você me assiste todos esses dias, e observa cada movimento, mas eu quero te contar só pra ter certeza que você reparou nesses detalhes.
Eu puxei a você. É, você já sabia disso quando se foi, mas eu ainda sou muito parecida com você. Penso que tudo o que você me ensinou é como Princípios constitucionais, norteiam todo o entendimento que tenho sobre a vida e me ajuda a aplicar nela as "leis". Cláusulas Pétreas, não vão mudar, o seu amor me marcou de tal forma que é impossível eu me ver dissociada de seu jeito de ser. É engraçado eu falar de Direito com você. Naquela época, fazer Direito era algo tão distante, nem sei se você cogitava a idéia que eu fizesse. Acho Direito chato pra caramba, Pai. Não sei como você gostava daquilo, e o quanto gostava, pois tudo parece tão frio, distante e mantenedor das injustiças, tão diferente de você! Calma, eu não sou tão infeliz assim com o que eu faço quanto parece. Sou só um pouco, mas vou resolver isso aí, fica tranquilo. Eu até consegui tirar a nota 10, com louvor, na minha Monografia de Conclusão de Curso, olha só!
Aliás, virei uma Mulher da "zorra", como dizia meu amigo Dandan. Ele morava naquela casa em frente a banca de revistas onde você estacionava o Jipe Azul, lembra? Achei ele na Internet, depois de tanto tempo. (Achei taaanta coisa legal na Internet, Pai. Mas sempre com muito juízo, pra separar joio do trigo. Gente muito boa que você ia gostar de conhecer) Uma mulher que consegue resolver muitas das coisas de sua vida. Não tão chorona quanto você, mas bastante sensível. E segura. Sei de meus defeitos e sofro com eles, mas tem tanta gente que gosta de mim que acho que dá pra eu passar com eles, numa boa. É aquela mesma família linda que você deixou, um pouco maior, mas daquele jeito delicioso de sempre.
Vivo descalça igual a você, mas amo comprar sapatos, igual a minha mãe. Meu dedo mindinho continua lindo, e hoje desfila os esmaltes da moda, você ia rir. Tenho uma cachorra linda que você ia amar e ia com você correr muuuito nos campos.Tanta música legal pra você assobiar, Pai. Acredita que até hoje não aprendi a assobiar?
O que mais? Ah, Pai, tanta coisa pra eu te falar. Não quero chorar escrevendo esse texto. Não vou. Eu estou feliz nesse momento e, muito embora a saudade doa muito, eu quero que você participe comigo dessas coisas boas aqui.
Te amo muito. Mais do que você pode imaginar.

domingo, setembro 12, 2010

Nasceu numa caverna. Tinha vista pro Vale e um lago azul, onde a luz batia às 11:43. Lindo lá, tinha muita coisa, mas ainda assim era uma caverna. E as outras crianças vinham lhe visitar, por volta das 11:30, aproveitar o lago, curtir, rir com ela que sempre foi engraçada.
Mas nos tempos de festivais, onde era preciso ir até o Vale para ouvir a música e sentir os cheiros das comidas feitas para os Deuses, as outras iam e a Menina continuava na Caverna, não podia sair. Seus pais traziam as mais belas flores, o que a deixava muito contente.
Mas os festivais foram se intensificando, ela foi crescendo, mergulhada em seus hobbies na caverna. Entrando em contato com o mundo pela caverna, por pássaros, morcegos e cartas. Enquanto as outras crianças corriam por aí, em busca de tudo que ela sabia que existia, embora não pudesse tocar.
Todos cresceram, ela e as crianças. Hoje, adultas, querem retornar à sua caverna. Ela, sente-se mal, pensa que deveria acolhê-los, mostrar-lhes os segredos e prazeres da caverna. Mas, ao mesmo, percebe que aquelas viagens feitas pelos outros mudou muito. Outras gírias, novos modos. Sua caverna foi moldada, todos esses anos, de maneira que ela pudesse ser feliz ali. Fica difícil deixar essa gente toda entrar. Desconfortável até. Não queria que a julgassem mal. Mas ela preferia, de verdade, que deixassem ela curtir a Caverna em paz, afinal, faz anos que ela luta por isso. Vão curtir seus Vales.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Difícil lidar com a paz. Primeiro, como reconhecê-la? Nomea-la, diferenciar ela de todos os outros momentos em que só era uma leve brisa de sossego, a espera de algum desastre.
Acho que a paz repousa na certeza de que não há plenitude. Tudo precisa do equilíbrio. Saber que ela pode hesitar e simplesmente desaparecer, mas que voltará, tão logo as coisas se ajeitarem.
Nesse momento em que colho frutos, só preciso estar atenta. Atenta, não acuada. Não esperando o pior. Apenas aproveitando, sem me esquecer que erros foram cometidos. Por mim, principalmente. Não posso controlar os erros alheios, somente os meus. Então, cabe a mim não repeti-los.
Tentarei me equilibrar em meio a essas borbulhantes experiências. Provarei do novo, sem ignorar o que aprendi com o passado. E se há um conselho que eu dou, nesse momento, é:
"Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe."

sexta-feira, agosto 13, 2010

"- Achei crueldade o que você fez com ela.
- Oxe, mas eu não fiz nada. Só dei minha opinião.
- Quando ela não te pediu. Ela me contou rindo, como se tivesse achado divertido, mas dava pra perceber o nó na garganta, a voz embargada.
-Ah, frescura, vai. Ela nunca me falou que se magoou com o que ocorreu. Aliás, comentou meio que se divertindo.
- Você sabe que ela é assim, não mostra suas mágoas. E você, mais do que ninguém, deve saber como o que ocorreu é capaz de magoar alguém. E o comentário que você fez é um prenúncio. Foi a mesma coisa que dizer: "vai acontecer de novo e você vai se magoar de novo."
- Ela não me pareceu magoada quando aconteceu da primeira vez. Como eu disse, parece que ela encarou numa boa.
- Ainda assim! Não precisava ser tão cruel, você agora destruiu a possibilidade dela seguir em paz. Vai ser de novo cheia de desconfianças. Ela vai se pegar pensando em o que fazer para que não se repita o acontecido. E você sabe que não como evitar. Mas ela irá tentar evitar mesmo assim, já que nasceu com essa sede de controlar as coisas.
- Ah, que besteira.
- É. Agora já foi."

quarta-feira, agosto 04, 2010

Com sua licença

"Queridas pessoas,
Sim, todas vocês, um pouco de sua atenção: Não prestem tanta atenção em mim. Não me levem tão a sério. Sorriam comigo. Comemorem. Deixem o peso pra trás e prometo voltar com vocês pra buscá-lo, caso se faça necessário. Preocupem-se menos. Olha para mim, tenho cara de quem vive fazendo besteira? Não foram vocês que estiveram aqui comigo todo o tempo? Não viram como me saí de cada uma das situações, quando o bicho pegou?
Parem de reclamar de suas vidas. Não é assim que se muda as coisas, eu te garanto. Sei disso pois já estive nesse mesmo lugar onde vocês estão. Cá pra nós, vocês estão chatos pra cacete reclamando de tudo e, principalmente, de todos. E olha, não é apontando pro erro do outro que se tira o foco do seu erro, não. É consertando-se. Ou, pelo menos, tentando.
Ah! Também parem de bancar papéis que não são seus, ok? Quer mudar de posto? Não tá gostando da personagem? Conversa com o diretor mas não banca o maluco sendo quem você não é.
São só alguns avisos, meus lindinhos. Não se melindrem."

quarta-feira, julho 28, 2010



Parece azul, as vezes, rosa. Não sei dizer. É leve e inédito, esse sentimento de felicidade merecida. Quando você passa um ano num limbo existencial, onde nada ocorre de verdade, mas tudo se decide. Num ano em que você teve que crescer e ser ainda mais forte. Um ano, Mila, em que você procurou colo e não achou, pediu arrego e não foi atendida. Teve que seguir, quando doía cada parte de seu corpo. Teve que mentir, omitir e ser sincera quando você achou necessário, muito embora parecia inadequado ou doloroso.
Mas passou. E tudo aconteceu. Você hoje, colhe frutos, e nunca será como antes. Acho até que está melhor, inclusive. Pode ter perdido uns fios de cabelo, ganhado umas rugas e sofrido um pouco mais do que precisava. Mas a vida nunca foi boazinha com você, vai. Mas sempre soube te presentear e te dizer as coisas certas.
Enjoy, Mila. A vida é só um balão cheio de água, divertido, que só estourará quando bem entender. Enquanto isso, dá pra ser feliz um bocado.

terça-feira, julho 13, 2010

"Que seria de mim meu Deus
Sem a fé em Antônio
A luz desceu do céu
Clareando o encanto
Da espada espelhada em Deus
Viva viva meu santo

Saúde que foge
Volta por outro caminho
Amor que se perde
Nasce outro no ninho
Maldade que vem e vai
Vira flor na alegria
Trezena de julho
É tempo sagrado
Na minha Bahia

Antônio querido
Preciso do seu carinho
Se ando perdido
Mostre-me novo caminho
Nas tuas pegadas claras
Trilho o meu destino
Estou nos teus braços
Como se fosse
Deus menino"

As vezes, não minto, a fé hesita. Treme, chora. Mas renasce em cada alegria, em cada sorriso que Ele me proporciona. E não são poucos. Continua me guiando, meu Santo. Obrigada por tudo.

segunda-feira, julho 05, 2010

Boba. Você sempre detestou matemática, colé a sua agora? Fica querendo essa certeza matemática sobre as coisas. Olha, você não tem como saber se vai dar certo, ok? Nem a duração, o entusiasmo, se vale a pena, se vai ser bom, se vai ser divertido.
Deixa de frescura e volta pras humanas. Fique confabulando, refletindo, ponderando. Não tente calcular. Nunca, nunca foi seu forte.

sexta-feira, julho 02, 2010

Sapatos

Diminuiu o passo ao avistar a loja. Não queria entrar lá assim soluçando de tanto chorar. Foi se recompondo enquanto se aproximava de sua loja de sapatos predileta. Não que pudesse chamar de sua. Nunca achou um bonito lá, que coubesse no seu pé.
Sem medo entrou na loja, afinal, nada parecia ser pior do que aquela vida que ela levava. Chata. Sem nenhum sapato legal pra lhe calçar. Sem nenhum alguém pra abraçar. Não, o terapeuta havia dito que aquela comparação entre homens e sapatos não era saudável, além de absurda. A melhor amiga havia avisado que aquela metáfora podia estourar o cartão de crédito dela e deixar tudo ainda pior.
Mas era assim que se sentia. Os sapatos, por ser seu pé tão pequenino, não cabiam nela. Assim como os homens, por mais legais que parecessem, acabavam não dando certo. Ora porque não mais a queriam, ora porque ela descobria defeitos que não se dava para perceber nos primeiros momentos em que ela passava experimentando, como aqueles cincos passos que se dá na loja antes de levar aquele sapato altíssimo. "Merda" pensou, já estava lá de novo às voltas com a comparação.
Enxugou as lágrimas e pediu, voz trêmula: "Traga todos os pares 33 que você tiver aí, porfavor."
As vendoras se entreolhavam. Detestavam ela, nunca levava nada. Nunca se conformou com o fato de que calça 32 e vive experimentando 33. Assim como sai pra paquerar, de segunda a segunda, vai até no batizado de cachorro, atrás daquele cara que seja seu número.
Mas, talvez, tenham se sensibilizado pelo seu nariz vermelho e seus olhos tristes. Trouxeram. Abriu algumas caixas, não tinha ânimo. A maioria, sandálias espartanas que ela detestava e que ela encontrava facilmente nas lojas infantis. Na mesma quantidade que ela encontrava caras babacas e infantis no dia-dia. Quis chorar mais.
Até que abriu a quinta caixa. Era ele. Um scarpin. De cetim, nude. Peeptoe com um detalhe na frente, lembrando uma jóia. Salto médio, suportável para a curvatura do seu pé diminuto. Acolchoado, leve. Salvo trabalhado. Como ela sempre sonhou.
Sorriu: "Vou levar". As vendedoras, meio com pena, como se consolassem uma viúva, mão de cinco filhos pequenos com um "seu marido está num lugar melhor", falaram: "Olha, esse não pode trocar depois pois está na liquidação. Mas acho que dá, né? Forma pequena. Tem certeza que não quer experimentar?"
Entre sorriso de prazer e alívio, disse: "Não. Vou levar assim mesmo". No fundo sabia, muito provavelmente não caberia. Sairia do pé quando ela estivesse entrando no carro ou algo assim. Mas ela estava encantada, por que não dizer, apaixonada. Então, entendeu. No dia que tivesse que ser, seria, assim como com os homens. Provavelmente, ele não seria do jeito que ela sonhara e a conquista, a relação, teria muitos percalços. Mas ela ia ter que se jogar. Os encantamentos valeriam a pena. Como tudo nessa vida, corria o risco de sair caro, não seria completamente racional. Mas a lógica das mulheres nunca está no lugar certo, mesmo. Provavelmente, está nos pés.
Mas tanto faz, ela pagaria a conta do cartão no final do mês, como sempre. E enxugaria suas lágrimas sozinha, se fosse preciso. Também como sempre.

terça-feira, junho 29, 2010

Enquanto me esforço ao máximo (?) para continuar a escrever minha monografia, esquento meu pé no ar quente que sai do computador que já trabalha a dias seguidos.
Tá ótimo, Pczinho. Obrigada. Mas é que eu queria mais que isso esquentando meus pés agora. Queria um alguém com braços pra abraçar. Mãos sendo requentadas, roçando umas nas outras, naquele som reconfortante inconfundível, para encostar no meu pé, sempre gelado.
Eu quero a ansiedade boba de quem espera alguém ligar no celular. Eu quero a serenidade de noites insones por estar pensando em alguém. Qualquer coisa do tipo.
"Eu quero a sorte de um amor tranquilo. Com sabor de fruta mordida."

segunda-feira, junho 14, 2010

Yoko

Nada me parecia interessante. Sentia que havia esgotado todas as minhas fichas numa tentativa de ter uma alegriazinha. Os lugares me pareciam chatos e as pessoas, entediantes. Numa livraria, talvez encontrasse inspiração no meio de tanta inspiração impressa. Muito embora eu precisasse de ajuda, livros de auto-ajuda nunca serão uma opção. Até o Esoterismo já desistiu de mim. Aventura me causaria inveja. Os de romance iam me fazer querer morrer.

Chega de drama, Mila. Toma um café pra esquentar. Na passagem, estico a mão e pego um livro qualquer pra me fazer companhia.

Na mesa ao lado, estava Yoko. Como eu sei o nome dela? Não lembro. Mas ela conversava com uma menina. Era difícil se entenderem, Yoko era japonesa. A menina, que devia ter uns 10 anos, arranhava no inglês. Sabiamente, passam pro idioma universal da comida. E a menina, no alto de sua sabedoria infantil, sugere que Yoko coma um brigadeiro.

Confiando na inocência das crianças, Yoko aceita. Olha para aquela bolinha marrom, não dá muita coisa por ela. Resolve provar. Imagino aquelas bolinhas que o ratinho Rémy imaginava em Ratatouille ao comer algo bom. Os olhos delas sorriram. Ela ruborizou. Começou a rir, tremendo de alegria. "Hummm" Ela resumia. Disse, em inglês, "nunca imaginei que houvesse um doce de chocolate, que eu não tivesse provado, tão gostoso."

Terminei meu café e saí de lá satisfeita. Em algum lugar, em algum momento, haverá um brigadeiro desconhecido me esperando. Um dia, serei Yoko e descobrirei prazeres nunca antes imaginados. Naquela hora, Yoko estava feliz com uma bolinha marrom que ela nunca pensou existir.

Seu brigadeiro, um dia, Mila, chegará.


quinta-feira, junho 03, 2010

Eu estava com fome e o mesmo esmalte na unha há mais de uma semana. Era uma necessidade fisiológica ir no supermercado pra comer e pintar as unhas. Não me julguem. Pelo menos, não faço xixi no meio da rua usando essa mesma desculpa.
Enfim, a fila pro restaurante a quilo do mercado estava imensa. Atrás de mim, uma adolescente com síndrome de Down, de nome Luzia, como a sua mãe repetia sempre na fila, de maneira carinhosa, indicando de que maneira se portar e se servir.
E atrás de Luzia, uma senhora de uns 50 anos. Eu, na minha cadeira-de-rodas, ocupo sempre um espaço grande nas filas de comida a quilo, como se fosse duas pessoas ao mesmo tempo. Luzia, um pouco devagar, fazia questão de se servir sozinha e não deixar nada cair, apesar da falta de coordenação. Uma fofa, educada e simpática. A senhora, no entanto, resmungava "que demora" "não tem ninguém pra ajudar o pessoal deficiente aqui, não?". E revirava olhos, como flagrei algumas vezes, enquanto meu Tio servia a mim e a ele, ao mesmo tempo.
Pagamos, sentamos. Coincidentemente, em mesas próximas umas das outras e bem longe do restaurante. Eu e meu Tio. Luzia e sua mãe. E a senhora, sozinha.

Tudo correndo bem, até que o garfo da senhora caiu. O que fazer agora, minha senhora? A mesa tá longe do restaurante, não dá pra abandonar seu prato sem supervisão, não é mesmo? Pegar do chão, nem pensar! Não tem garçonete para você pedir um favorzinho, educadamente. As únicas pessoas que podem te ver aqui sou eu e a família de Luzia. Mas você nem se atreve a nos encarar. Eu continuo comendo com meu Tio. Na outra mesa, Luzia, que ria contando histórias do colégio a mãe. Nunca de boca cheia, vale ressaltar. Você, querida senhora, teve que parar sua refeição, está sem talher. Quem está deficiente agora?

Pra quem ficou curioso, depois de resolver a necessidade mais urgente que era de comer, fui pintar minhas unhas. Um cinza lindo, pier da Impala. E a senhora? Voltou pra fila, ainda maior, segurando bem o garfo. Não queria arriscar ficar sem ninguém pra ajudar ela, em um eventual estado de "pessoal deficiente".

sábado, maio 22, 2010

Hoje, não é dia de ser certa. Não quero. Só quero te dizer o quanto eu te detesto agora. Você e suas manias. Você e sua falta de tato. Sempre impondo seu ponto de vista. Sempre esperando ser reconhecido, quando dá suas migalhas. Para você, é sempre uma questão de auto-afirmação. Quer que lhe elogiem, quer que lhe ouçam, quer que fiquem ao seu lado. Mas, na maioria das vezes, você merece ser duramente criticado, você merece que lhe batam a porta na cara e lhe dêem as costas, você não merece minha companhia e meu apoio.
Não sei como te dizer isso. Nunca saberei, por certo. Carente e complexado, não aguenta críticas. Destemperado e impetuoso, não ouve ninguém, por estar sempre gritando.
Diante de ti, me calo. És somente a personalização de muitos problemas.
Você, Ser Humano, erra demais para o meu gosto.



"Errar não é humano,
Depende de quem erra."

segunda-feira, maio 03, 2010

500 Dias com ela - 500 Days of Summer


Assisti 500 dias com ela e fiquei assim, aérea, como estou agora. O filme é muito lindo e cheio de significado. 1000 referências em minha vida, lembranças, pensamentos em amigos queridos.

Mas, do filme, trago idéias principais para dividir aqui. Com spoilers, claro.

Summer não sabia o que era amor, pois nunca ninguém foi capaz de definir. Quando finalmente o encontrou, soube. Sentimento é isso, incapaz de definir em palavras. Poetas morreram tentando, chegando perto. Mas só se entende os poetas, quando se sabe do que eles estão falando. Eles só representam, não dão o significado. Assim, é o amor de cachorro. Eles não sabem o que diabos é amor, mas eu tenho a mais absoluta certeza que minha cachorra me ama. Eu já falei isso aqui, chega de tentar colocar sentimentos em potes, compartimentalizados.

Outra idéia, também vai na onda do "chega". Tom tentou por 500 dias nadar contra a maré. O mar, como todos sabem, é convidativo, delicioso o rasinho, a água quente. Aí, vc se perde às vezes, fica muito tempo no sol, ou se deixa levar pela maré. Foi assim com ele. Ele esqueceu todos os sinais, desligou, relaxou e foi. Parou de tentar qualquer outra coisa, e só reunia as forças dele em amar Summer. Esquecendo até mesmo do pequeno detalhe, que era que ela não parecia o amar. A gente precisa aprender a ligar o "chega". Eu aprendi, e não foi da melhor maneira possível.

A gente precisa mesmo tomar umas na cara como ele tomou lá naquele banquinho com Summer até aprender? Não dá pra ser mais leve? Precisa mesmo algo grande, como ela ter casado? E nessa mentira o filme se assemelha com as ilusões das demais comédias românticas. É preciso tomar mais 203993841 na cara para entendermos. Às vezes, mais que isso. Não há nada que possa fazer a gente cair em si, numa hora dessas, se não quisermos.


Só mais uma informação importante: Achei o meu par romântico pra vida. Quero um Tom, interpretado pelo Joseph Gordon-Levitt, pra mim. Tô completamente apaixonada, o mais lindo protagonista de comédias românticas, o que mais faz meu tipo. Quem tiver um pra me apresentar, porfavor, me arranja? Serei eternamente grata. =)

sábado, abril 24, 2010


Na foto, só alegria. Não havia dúvidas maiores. Todas iguais, unidas. Ninguém pode dizer na foto quem tem mais sorte no amor, quem tem mais sorte no jogo, quem é cadeirante, quem gosta de cachorro, quem é a mais falante, a mais doidinha.
Apenas éramos. E assim, éramos felizes.

quinta-feira, abril 22, 2010

Mega Não pela liberdade Eleitoral na Web


Achei isso num blog e decidi postar aqui.

Muito embora eu não possua pretensões de fazer propaganda política de candidato algum no meu blog, eu acho válido que exista essa liberdade, para quem queira. E mais, essa prerrogativa de usar a internet em campanhas é fundamental para quem quer se informar sobre seus candidatos por todas as mídias possíveis. Ou vc tem mesmo que obrigar um ser humano a assistir o horário eleitoral gratuito?

Portanto, aí vai o link, para quem quiser saber mais. Pode clicar que é seguro.



sábado, abril 17, 2010

Eu quero mudar muito do que me cerca.
Não quero ver minha cidade alagada e engarrafada, ao mesmo tempo em que, da janela, enxergo todo o abismo social. Que fere meus olhos, pelo menos. Que me faz querer me desculpar pelo que sou e não tenho culpa. Me desculpando por ser, também, FDP.
Não quero ficar em casa, desejando ardentemente a paz. Paz completa, paz de quem não se altera por besteiras. Paz de quem sabe que, a qualquer momento, virá ao seu encontro um FDP com palavras extremamente desnecessárias e cortantes. Quero FDP's distantes de mim. Para sempre. Quero não ser FDP de ninguém. Não quero achar a chuva FDP, ela faz seu caminho, seu ciclo. FDP são aqueles que impedem ela de seguir, e a deixa estagnada.
Os mesmos, talvez, que tornam os locais inacessíveis e fazem parecer que minha deficiência é a total FDP da vez. Tá, eu sei que ela é. Mas se os empreendimentos seguissem o rumo certo das coisas, cumprissem com a Acessibilidade, a FDPtice dela não faria tanta diferença, faria?
A vida é cheia de FDP empatando os rumos, os caminhos, o progresso. E não se muda voltando. Só se pode mudar seguindo. Do que me armar para tirar os FDP do caminho?

"Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço."

segunda-feira, abril 05, 2010

Carro, roupa, cadeira, mesa, ônibus, céu, esquilo, luz e azul. Tentamos dar nome à todas as coisas. Mas, porfavor, tenha em mente, sempre, que nem tudo dá para definir, com meia dúzia de caracteres.
Não aponte, com toda a certeza, para dentro de mim, como se você conseguisse ver tudo, claramente, e diga: "Olha, isso aqui que você tá sentindo é solidão."
Porque o ditado "aparências enganam" deve estar umbilicalmente ligado ao sentimento. Eu não sei o que eu sinto, não é você quem vai saber.
Nem me diga que é mais fraco meu amor porque ele critica. Ele critica, sim, por estar cansado de vê-la errando. E levando todo mundo embora. E, em outro momento, não diga que ele se enfraquece porque me calo. Sabe, esse amor também cansa de falar.

"Ouça, não defina.
Sinta, não me desminta"

terça-feira, março 16, 2010

Acho lindo ver celebrar em mim todos os meus lados. Esses dias, eles andam em crise, sem tempo, sem respostas, inquietos, ansiosos, mas felizes.
Estou formando e, com isso, vem 2792291 mil responsabilidades. Coisas nunca antes vistas devem ser agora enfrentadas. Coisas gigantes, dolorosas e desesperadoras, como achar uma blusa para eu vestir na sessão de fotos.
Sim, sou mulher, porra. E cadeirante. E fresca. E moro em Salvador, onde as lojas adoram vender roupas iguais.
Como todas as outras mulheres do mundo, dou uma de mulherzinha fresca. Não achar a blusa que sonhei, ou ela ser muito cara, me deixa desolada. Mas nada que uma escova e um esmalte da moda, um impala matte fluor laranja não me alegre.
E ainda tenho tempo de correr a cidade atrás de uma loja que venda baterias para ver se acho uma que se adeque a minha cadeira de rodas.
Sim, tenho sempre que dar um pouco mais de gás. Enquanto as pessoas se preocupam com a unha, tão somente, eu me preocupo com a unha, o cabelo, o aparelho de coluna, o pneu a calibrar, a bateria da cadeira, o barulho esquisito no carregador, a sincronia entre a escova progressiva e a piscina (para que eu falte o mínimo possível da fisioterapeuta). Ufa. Cansa ser eu, as vezes.
Mas o sabor das coisas conquistadas é ainda melhor que o de vocês, garanto. Achar a blusa perfeita, na loja inimaginável. A unha fluorescente ficar linda de morrer. Assistir Luciana namorando com Miguel e perceber todas as nuances daquele beijo. Saber o tamanho da felicidade que se sente quando se sai de uma mentira (Mila, você é uma cadeirante, ninguém vai te querer) para encarar a realidade, olhar o mundo em que você tem o direito de ser mulher, como qualquer outra ao seu redor. Com frescuras, dificuldades de achar roupa, unhas perfeitas e vontade de continuar indo em direção ao topo

Madonna diz:
"Do you know what it feels like for a girl?
Do you know what it feels like in this world
For a girl?

Hair that twirls on finger tips so gently, baby
Hands that rest on jutting hips repenting
Hurt that's not supposed to show
And tears that fall when no one knows
When you're trying hard to be your best
Could you be a little less?

Strong inside but you don't know it
Good little girls they never show it
When you open up your mouth to speak
Could you be a little weak?"

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Pouca gente que eu conheço lidou com a mesma quantidade de pessoas e situações diferentes na vida como eu. Não estou me gabando, ainda que me orgulhe muito disso. Sou uma pessoa melhor, por ter aceitado e convivido com essa pluralidade de pessoas.
Mas, ao mesmo tempo, sou mais triste e cética. Por mais que digam que o mundo está evoluindo para sanar essas diferenças, ainda vejo muita gente presa a preconceitos de raça/cor/religião/gênero/sexualidade que não deviam mais se sustentar. E ainda que estejamos nos movendo em direção a um mundo mais igual, a medida que respeita as desigualdades, se nos deparamos, no dia-dia, com discriminação me sinto como um soldado que vê um colega seu ser morto em combate. É mais uma baixa, cada vez que eu preciso de alguém para apertar a merda do botão do elevador, que eu não alcanço, de uma repartição pública que tinha que zelar pelo cumprimento das leis que determinam que os ambientes sejam acessíveis.
Ou como um soldado que perde o sentido da audição quando uma bomba estoura, cada vez que eu reclamo de algo e as pessoas só balançam a cabeça assentindo feito zumbis sem senso crítico.
Ou ainda como se eu estivesse tendo alucinações de um Neurótico de Guerra, ao discutir a homofobia de Marcelo Dourado no BBB e a pessoa afirmar veementemente que o comportamento dele é o mais correto e aceitável, e nada tem de homofóbico.
O problema é que eu não posso abandonar essa guerra, sob pena de ser considerada desertora por mim mesma. Tenho que continuar aqui, sinalizando as diferenças, para que elas não sejam minimizadas ou rotuladas, para que o mundo possa ser realmente mais plural e generoso com todos aqueles que, na batalha do dia-dia não esquecem que: "Ser diferente, é normal. Mesmo porque, ninguém é igual."

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Personagem: Vitória

Vitória é uma menina feliz. Bom, pelo menos, é o que ela deixa transparecer. Dona de um sorriso estonteante, mais do que com a expressão corporal, Vitória adora falar como a vida dela anda tão, mas tão legal, que você deveria chorar de inveja.
Na vida de Vitória, não há problemas. Há apenas questões complicadas que ela, muito experiente, forte e corajosa, enfrenta sem pestanejar. Vitória é vivida, já enfrentou muitas batalhas, mas com toda a bagagem que ela tem, você não precisa se preocupar com ela. Ela está sempre bem.
Aquele dia que você a viu triste e cabisbaixa? Foi apenas um bad day, um desabafozinho, afinal, ela leu numa revista que tem que deixar os sentimentos saírem.
Aquela grosseria que você viu o namorado fazer a ela? Imagina, ele é um amor. Ela adora o jeitão bruto dele.
E assim, ela continua vivendo de marketing pessoal, bradando aos quatro ventos como ela é feliz e 100% satisfeita. Mesmo porque ela, que é muito inteligente, deve saber: "Uma mentira contada mil vezes vira uma verdade."

"Sorria na sala,
Chore no quarto"

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Personagens

Meu poder de observação anda muito aguçado. E isso tem me prejudicado, pois quanto mais observo as pessoas, menos interessantes elas me parecem. Destrincho cada detalhe e a certeza de que "de perto, ninguém é bonito" parece cada vez mais forte.
Fui ver o show de beyoncé ontem aqui em Salvador, a distância que eu tava do palco e a duração do show não me permitiram encontrar nos detalhes nenhum defeito. Mas, antes, durante e depois do espetáculo, me deparei com inúmeros personagens. E muitos outros, não presentes ali, surgiram na minha mente. Personagens que se repetem, no todo ou em parte, com as pessoas que eu convivo ou com as idéias que eu tenho delas.
Assim, como forma de extravasar essa minha necessidade de observação, passarei a dar uma "Função Social" a tamanha capacidade de me debruçar sobre o comportamento humano. Construirei personagens, criarei arte em torno deles, para que me pareçam cada vez menos irritante e cada mais divertidos.

"Come on, come in.
Amuse me.
I know you don't care
Just entertain me."

domingo, fevereiro 07, 2010

Amor sem Escalas (Up in the air)


Assisti ontem ao filme "Amor sem escalas (Up in the air)" e me encantei.
Apesar da sala do cinema estar insuportavelmente cheia de adolescentes mal-educados (eufemismo), o filme foi uma delícia. Seguindo o conceito de Marco (vomite.wordpress.com), não farei uma síntese do filme, mas sim, quais conclusões (bem particulares) tirei dele.
A principal dela, que é pra mim uma conclusão trabalhada em meu interior faz tempo, é que a felicidade de um não pode ser transportada para o outro. Não existe um modelo de felicidade capaz de se encaixar em todas as pessoas, indistintivamente. Nem um sistema de tamanho, no estilo P, M e G, capaz de você ir lá e escolher.
A busca incessante por esse modelo de felicidade pode acabar em situações bizarras, onde as pessoas se submetem a papelões ridículos acreditando que assim vão conseguir alcançar aquele tão esperado modelo.
Nem todas as escolhas vão dar onde a gente pensa. Nem todo comodismo vai manter nós no local confortável em que estamos.
Vale a pena o filme, e vale a pena refletir sobre se o seu modelo de felicidade tem mesmo que ser o mesmo que o meu. Além disso, se existe um modelo, imutável e infalível capaz de nos fazer realmente felizes.
Outra conclusão, sem resposta até então, "Fundamental é mesmo o amor? É impossível ser feliz sozinho?". Será que dá pra ser uma ilha, será que ser cercado de pessoas é suficiente para suprimir essa carência inerente do ser humano? Até quando é possível nos manter auto-suficientes?
Só perguntas, mas a dúvida move o homem, certo? Como o protagonista do filme disse(algo assim, não gravei a fala) se não nos movemos, nós morremos.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Desejo

Se me sinto inerte, não posso atribuir a falta de atividade dentro de mim.

Internamente, tudo quero, espero e cogito se posso.
Quero ter tudo que posso e nunca fiz. Quero querer cada vez mais forte até conseguir. Quero estar perto, sempre e mais do que nunca, do que me faz forte. Enquanto caminho, ainda que a passos de formiga e sem vontade, para longe do que me faz ser o que não quero mais.
Sobretudo, quero desejar. Quero nunca mais deixar de acreditar. Continuar no querer intenso, porque dele se alimenta todas as outras coisas que nos fazem caminhar.
E se caminhar não posso, quero querer caminhar, e todas as suas consequencias. Para que, de tanto querer, um dia possa chegar à fonte dos meus desejos.

sábado, janeiro 30, 2010

"Ain't no love like the one I've got
She and I got a brand new start"


Quando eu ouço Little Joy, me lembro de nós dois.
De quando não tínhamos mais um "brand new start" e eu já começava a contagem regressiva... Saudade de me orgulhar de ter você por perto. Saudade de sentir. Hoje tudo o que eu quero é que você se presenteie com um novo começo pra si.

domingo, janeiro 24, 2010

Se eu pudesse, alcançaria um nível de sabedoria em que fosse possível eu precisar quando devo parar de batalhar por certas coisas.
Objetivos que me exaurem, níveis de perfeição aparentemente inatingíveis, ainda que irrestivelmente desejáveis.
Parar de batalhar por pessoas que nunca mudarão, nunca se afastarão, nunca se importarão, nem nunca se calarão.
Melhor ainda se eu soubesse, antes de entrar, qual dessas batalhas estaria fadada ao insucesso. Dessas que só nos fazem carregar marcas, imagens negativas, pelo resto da vida. Ainda que a gente esqueça, sempre vai ter alguém pra aponta-las.

"Que eu saiba, sua vida não te deixa tão desocupada a ponto de você ter que se ocupar da minha."

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Tem gente que planta raízes na gente. E se erguem, frondosas, como mangueiras milenares. Poda-las é fundamental para o bem-estar de todos. Para que elas cresçam saudáveis em nós. Sem galhos doentes de exagero, sem velharias que pesam, sem emaranhar nos fios de nossa energia.
Tem gente que só finca bandeira. Tímida, flamulando trêmula. Na euforia, parece a conquista da lua tê-las. Mas elas, depois de um tempo, não mais fazem tanta diferença.
Depende de mim, tão somente, considerá-las mangueiras ou bandeiras?
Colhemos o que plantamos. As mangueiras sabem. Bandeiras, seriam vocês capazes de dar frutos?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Para Mim.


E hoje eu não quero falar de ninguém, pensar em ninguém, me olhar através de ninguém.
Quero só me homenagear, eu, que mereço as melhores homenagens ontem, hoje e sempre.
Nem aqueles que viveram ao meu lado sabem o quanto mereço gostar de mim por ter aguentado as diversas situações que enfrentei.
Algumas, por culpa do acaso, outras por culpa minha mesmo. Algumas de chorar, outras de rir, e ainda aquelas risíveis, onde eu mesma tive pena do papel que paguei.
Mas, olha vocês, a pena aqui é só pra mim. Só eu posso me dar tapinhas no ombro e dizer: "calma, não chora!". Ou repetir o mantra do "Vai passar"
Sintam inveja de mim, a única a participar inteiramente da minha vida.
E, aqueles amigos queridos que entram em ocasiões especiais(nunca resisto, sempre vocês aparecem), sintam-se lisonjeados.
Esse espetáculo de drama-horror-comédia-romance-guerra-e-paz não é pra qualquer um. É de lista vip, com temporada sem hora pra acabar e imprevisível.
Não se assuste se, na primeira fila, receber um sorriso, uma lágrima ou um escarro.
Eu continuo amando meu público.

sábado, janeiro 09, 2010

Tem uns dias que eu descobri que eu não escrevo no blog porque eu quero escrever demais, minunciosamente.
Como não é nada muito importante isso aqui, vou passar a escrever mais. Pra vomitar as milhares de coisas que zanzam na minha cabeça e me irritam profundamente.

Eu já estava angustiada com o fato de que eu estou me tornando uma pessoa extremamente intolerante. Mas, como sempre faço, nem sempre acertadamente, procurei algo pra justificar: a Experiência.
Sim, por mais que as pessoas digam que, à medida que você vai envelhecendo, você fica mais sábio, mais comedido pela luz da experiência, eu acredito que você passa a ver a vida com cada dia mais desprezo e intolerância.
Se você passou por uma experiência ruim com gatos, por exemplo, você tem uma chance boa de não criar uma visão errada deles eternamente, vez que há a possibilidade da próxima experiência ser boa.
Agora, se você já conheceu milhares de gatos, desde os mais recomendados pelos amigos, grandes ou pequenos, feios ou bonitos, domesticados ou de rua e todos eles foram só atestando que gato é tudo igual, que a experiência negativa da primeira vez é algo que se repete, então você se torna irremediavelmente intolerante.
Você, do alto de sua rabugentice progressiva, dirá: "Não me venham com gatos, eles não prestam. Eles são arredios, eles se lambem* ou seja lá qual foi o defeito felino que você encontrou* não gosto"
É assim que eu me sinto. Minha rabugentice progredindo geometricamente. Porque as minhas experiências só me trazem a certeza de que as coisas se repetem. Certas pessoas sempre casarão com certos comportamentos. Certos lugares sempre trarão certas lembranças. Certas idéias sempre viverão nas cabeças de certas pessoas.