terça-feira, setembro 14, 2010

Ao meu Pai.



Pai, 10 anos que te levaram embora. Dizem, as vezes, "ele se foi". Mas você foi levado, né? Arrancado.
Passou rápido, mas nada indolor. E eu escrever hoje, logo no aniversário de morte, é até meio esquisito, já que não houve um dia sequer nesses 3650 dias que eu não tenha pensado em você.
Mas, tenho certeza, você sofre ao me ver triste, então, vou te contar algumas coisas que eu aprendi e estou sentindo e tenho certeza que você vai ficar contente em saber. Tá, eu sei que você me assiste todos esses dias, e observa cada movimento, mas eu quero te contar só pra ter certeza que você reparou nesses detalhes.
Eu puxei a você. É, você já sabia disso quando se foi, mas eu ainda sou muito parecida com você. Penso que tudo o que você me ensinou é como Princípios constitucionais, norteiam todo o entendimento que tenho sobre a vida e me ajuda a aplicar nela as "leis". Cláusulas Pétreas, não vão mudar, o seu amor me marcou de tal forma que é impossível eu me ver dissociada de seu jeito de ser. É engraçado eu falar de Direito com você. Naquela época, fazer Direito era algo tão distante, nem sei se você cogitava a idéia que eu fizesse. Acho Direito chato pra caramba, Pai. Não sei como você gostava daquilo, e o quanto gostava, pois tudo parece tão frio, distante e mantenedor das injustiças, tão diferente de você! Calma, eu não sou tão infeliz assim com o que eu faço quanto parece. Sou só um pouco, mas vou resolver isso aí, fica tranquilo. Eu até consegui tirar a nota 10, com louvor, na minha Monografia de Conclusão de Curso, olha só!
Aliás, virei uma Mulher da "zorra", como dizia meu amigo Dandan. Ele morava naquela casa em frente a banca de revistas onde você estacionava o Jipe Azul, lembra? Achei ele na Internet, depois de tanto tempo. (Achei taaanta coisa legal na Internet, Pai. Mas sempre com muito juízo, pra separar joio do trigo. Gente muito boa que você ia gostar de conhecer) Uma mulher que consegue resolver muitas das coisas de sua vida. Não tão chorona quanto você, mas bastante sensível. E segura. Sei de meus defeitos e sofro com eles, mas tem tanta gente que gosta de mim que acho que dá pra eu passar com eles, numa boa. É aquela mesma família linda que você deixou, um pouco maior, mas daquele jeito delicioso de sempre.
Vivo descalça igual a você, mas amo comprar sapatos, igual a minha mãe. Meu dedo mindinho continua lindo, e hoje desfila os esmaltes da moda, você ia rir. Tenho uma cachorra linda que você ia amar e ia com você correr muuuito nos campos.Tanta música legal pra você assobiar, Pai. Acredita que até hoje não aprendi a assobiar?
O que mais? Ah, Pai, tanta coisa pra eu te falar. Não quero chorar escrevendo esse texto. Não vou. Eu estou feliz nesse momento e, muito embora a saudade doa muito, eu quero que você participe comigo dessas coisas boas aqui.
Te amo muito. Mais do que você pode imaginar.

2 comentários:

  1. Eu posso fechar os olhos, a primeira imagem quando penso em você, é na porta da escolinha você saindo com o seu pai do carro, posso não lembrar os nomes de cada arvore, ou dos colegas, ou qualquer outra coisa com minha memória de peixe, mas com você é infalível.

    Eu tenho certeza que ele onde estiver, como eu,tem muito orgulho de você,de ser alguma coisa pra você.
    Pode contar comigo pra qualquer coisa viu Mil!

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  2. Cintia7:21 PM

    Lindo seu texto.
    E não falo de técnica ou talento. É o seu amor, tão grande e forte, que enche de beleza tudo isso que você escreveu Milón...
    Que esse mesmo amor te alimente e te dê sustentação sempre que a confiança fraquejar, o que, por mais que queiramos, não deixa de acontecer - por mais "da zorra" que seja a Mulher.

    Um beijo!

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