sexta-feira, agosto 05, 2011

"Que X-Men você queria ser?"

Eu queria ser o mutante que adquirir a habilidade de esquecer. Apagar da memória exatamente aquilo que te machuca. Organizar a memória em pastas, com marcações, favoritar as melhores e mais importantes. E apagar, sem oportunidade de resgatar da lixeira o que não mais deve ser lembrado.
Todos nós ficamos aqui, na espera de algo muito bom acontecer. Mas o que acontece quando se perde isso de bom que aconteceu? Fica ali, a lembrança do que você quer que volte, mas que não vai voltar. Aí, já que aquelas memórias já não servem de nada, você fica tentando achar um sentido pra elas. Brinca com elas. Fogo que são, aquecem, mas machucam. Olha elas de trás pra frente, adianta, retrocede, faz adaptações para filmes, seriados de tv e novelas. Escreve livros, compõe músicas. Acha as músicas perfeitas. Das mais mais bregas às mais bonitas.
Qual a relevância? Outras histórias estão começando para outras pessoas, com outras músicas, lembranças estão sendo feitas. E as suas estão ali sem serventia. Sinceramente, seria justo com aqueles que sofrem de saudade, poder desligar a memória só de vez em quando, num propósito até de economizar energia, por que não dizer.
O x-men que conseguisse isso seria o mais forte e feliz. Ou será que o frágil poeta conseguiu esquecer depois que fez aquela música?

Um comentário:

  1. Nossa! Que lindo isso! Seria fantástico e terrivel porque as boas coisas que perdi e que não vão voltar estão seguindo suas trajetórias mas fizeram e fazem parte de quem eu sou. Mas pelo menos em alguns dias, "economizar energia" seria muito gratificante.

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