segunda-feira, novembro 07, 2011

(In) Acessibilidade Atitudinal

Sem ressentimentos ou amarguras. Eu preciso escrever para ver se ao menos mais uma pessoa reflita sobre como a maioria encara as pessoas com deficiência exercendo suas atividades diárias.
Lá vai eu fazer uma radiografia na Clínica Delfin,grande centro médico de diagnóstico daqui dessas bandas.
A gente já vai ficando feliz quando tem vaga reservada, porteiro atencioso e elevador. Chega na recepção, entrego o pedido, carteirinha e essas coisas. Na hora de assinar minha ficha, começa a complicar, sem motivo. A recepcionista ao lado da que tava me atendendo, sem nem levantar os olhos pra me ver, fala:
- Dá para o acompanhante dela assinar.
Levanto as sobrancelhas em sinal de reprovação. Minha recepcionista:
- A senhora dá pra ele assinar, porfavor.
Eu, já indignada:
- Mas por que tem ser ele? Eu posso assinar.
Ela, meio desconcertada, diz que não sabia se eu podia, se eu tinha apoio ali,e mais umas palavras que foram sumindo no fade de quem não tem o que falar e fala merda.
De fato, eu não tinha apoio e ela podia ter me oferecido um, mas já não conto tanto assim com gentilezas. Antes disso, o balcão podia ter uma altura adequada, conforme a Norma da ABNT, de maneira que eu não precisasse me esticar para vê-la e teria um lugar para apoiar as fichas. Ainda assim, eu podia assinar. Sei dar meus jeitos, as vezes.
Fora o aspecto físico, podia ter mais bom senso. Chato isso de ela partir do pressuposto que eu não podia/não conseguia assinar. Chato e desnecessário, ela podia ter perguntado. Parece bobagem pra quem está de fora, mas essa dúvida constante que as pessoas tem sobre a capacidade das pessoas com deficiência é algo bem irritante. Principalmente quando você, apesar desse tipo de atitude e da falta de acessibilidade, continua vivendo a vida por aí, pouco se importando se as pessoas vão achar você capaz ou não.
Deixa que eu decido o que eu posso fazer ou não da próxima vez. Principalmente depois de perceber que posso falar sozinha. É, falo muito, nem vem com essa de que não sabia se eu podia falar.

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