domingo, janeiro 15, 2012

Helen conseguiu vencer o engarrafamento horrível e chegar ao salão de beleza, finalmente. Mal cumprimentou a todos, envolta nos pensamentos sobre o monte de coisa que tinha para resolver durante a semana. A reunião do novo projeto da chefe, com o qual ela super discordava, mas tinha que defender com unhas e dentes frente aos investidores. Unhas que estavam horrorosas, por sinal, tinha que entrar na fila da manicure, não ia dá pra só sair dali de cabelo cortado.
Helen não era daquelas que gostava de se embelezar, mas o fazia, muito bem até. Achava que era mais uma obrigação, que ela cumpria, obviamente. E aquelas revistas femininas espalhadas pelo salão? Argh. Com roupas lindíssimas, que quase nunca se acha na loja quando procuramos. Com cabelos perfeitos, que nem quando saímos dali alcançamos. Com pele que só pode ser photoshop de tão perfeita. Aliás, que coisa essa chata mais essa dúvida que surgiu sobre se há realmente pele perfeita, ou a gente pode se encher de porcaria que aquilo ali só se alcança em revista.
Chata, chata. Helen estava chata e o mundo, pra ela, pior.
As mulheres lindas da revista pareciam felizes, e uma psicóloga em uma das colunas dizia que era para ela - sim, ela sentiu a indireta - se desligar mais das coisas, relaxar, não deixar a ansiedade tomar conta, que o coração feminino é frágil e que pode acontecer o pior. Helen sentiu uma dor no peito e apertou o celular no colo. Como se fosse uma mão. Era seu elo com o mundo. Era assim que mais falava com os filhos, a mãe e lia sms das amigas confirmando um certo chá de cozinha. Como Helen podia resolver todos os problemas, tanta gente dependia e gostava dela, e não ficar ansiosa? E mais, ficar serena, continuar eficiente, e se manter linda, como as moças da revista. Ia abrir mão de ser bonita hoje, pronto. Sentiu uma culpa, o que o marido dela ia pensar, como a veriam na reunião? Ouviu Deise chamar.
Deise, a manicure. Helen a achou linda. Uma das mulheres mais lindas que já havia visto. Sorriso sincero, estendia a mão para Helen começar o procedimento. Gordinha, nenhum daqueles modelos da revista caberia nela. Nem se ela pudesse comprar. Não a gordinha estilo Adele, tão na moda atualmente. Negra. Cabelos presos. Covinha nas bochechas. Helen sentiu um alívio ao ver Deise e a achar mais bonita que a garota da capa da revista.

Esse post estava guardado aqui em meio aos rascunhos. Está sem terminar, mas publiquei assim mesmo pra sair do marasmo.

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