segunda-feira, dezembro 28, 2015

Muitos de vocês não devem ter contato com a sensação de ser café com leite desde a infância, quando seus irmãos mais velhos diziam que você não podia ser pego na brincadeira de pega-pega. E tem dias que até deseja que seu chefe passe pela sua mesa e deixe aquela caralhada de papel na mesa ao lado, ao fitar seus olhos cansados, "hoje você não vai precisar entregar os relatórios, você é café com leite".
Porém se isso acontecesse todos os dias da sua vida, se seu chefe passasse por você e não te achasse capaz pelo trabalho, ou se você não pudesse brincar como os outros, você ia gostar?
Pois é assim que eu me sinto, quando vejo a maioria lidando com minha deficiência. Se eu te contasse a quantidade de vezes que alguém se ofendeu e puniu meu amigo por algo que eu, que fiz exatamente a mesma ação, não recebi nenhuma punição você no primeiro momento poderia dizer "olha que sortuda". Mas a sorte vira o revés de ser posto sempre em segundo plano, na reserva, no gol.
Esse ano eu vi uma amiga ser achincalhada por ser exatamente como eu sou, talvez eu inclusive seja pior, mas eu não recebi um muchocho sequer, um olhar frio. Porque brigar com a defiça não pode. Tadinha, passa tanta coisa na vida, ela tem seus motivos pra ser fdp. É antiético brigar com um ser humano tão digno de minha pena.
"Ai mila, tem nada a ver isso, é que cada um é cada um, vai que ela não quis brigar com vc pela pessoa que vc é". Pode ser, mas vem pro lado de cá ver com que frequência isso acontece e depois a gente conversa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário